Shakespeare

Cultura – A Criação do Terceiro Reich

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Os Frutos da Arrogância

 

Theófilo Silva

 

 

Os alemães construíram durante a ditadura Nacional Socialista de Adolf Hitler dez mil e cinco campos de concentração de prisioneiros em toda a Europa, a maior parte deles na Polônia. A arrogância e a estupidez germânica se apresentaram logo após a unificação dos povos de língua alemã – a exceção da Áustria – nos anos 1860, num processo brutal conduzido pelo conde Oto Von Bismarck, dando posse a Guilherme I como primeiro Imperador (Kaiser) da Alemanha. “Ferro e Sangue” tornou-se o lema alemão.
Unidos, os alemães resolveram crescer e enriquecer o mais rapidamente possível, pois a “Alemanha estava predestinada a dominar o mundo”. Em 1870 aproveitando uma fanfarronada do estúpido Imperador da França, Napoleão III, entraram em guerra com os franceses e os venceram infligindo-lhes uma derrota humilhante.
De 1871 em diante a humanidade enfrenta um período de paz e prosperidade, que foi chamado de “Belle Époque”, até os canhões voltarem a troar em agosto de 1914. Nessas duas gerações, três nações: EUA, Japão e Alemanha prosperaram rapidamente juntando-se a Inglaterra, França e Áustria como as nações mais poderosas do mundo.
O ódio entre a França e a Alemanha tornou-se visceral, já que os orgulhosos franceses – que com Napoleão tanto maltrataram os alemães – aguardavam o momento de se vingar da tragédia de 1871. E estava fácil, a Alemanha lhes daria todos os motivos para uma guerra, o novo Kaiser (César) da Alemanha, Guilherme II já tinha um plano pronto para atacar a França. Guilherme II, um homem arrogante e recalcado – tinha um braço paralisado – tratou de procurar insultar ao máximo os outros governantes europeus.
E conseguiu junto com seus “irmãos” austríacos dar início a Primeira Guerra Mundial, em agosto de 1914, transformando essa guerra na maior carnificina da História. A Alemanha capitulou e a França foi à desforra com um tratado cruel retalhando seu território e cobrando indenizações impagáveis, que destruíram sua economia. A orgulhosa Alemanha conheceu o caos, e o desespero tomou o lugar da arrogância. Aí…
Ai apareceu a Besta do Apocalipse. Um cabo austríaco desempregado, de nome Adolf Hitler “atendeu ao chamado” de seu povo através da música de Richard Wagner. Hitler resolve vingar-se dos judeus, comunistas e financistas “os culpados pela derrota da Alemanha” para conduzir seu povo às glórias do passado, criando o Terceiro Reich (Império) Alemão que duraria mil anos.
É em Ricardo III que Shakespeare diz que “o inferno está vazio e todos os demônios estão aqui”. Sim, foi isso que aconteceu. Adolf Hitler esvaziou o inferno, transformando os alemães em demônios. Foram treze anos de brutalidades. Prisões, torturas, assassinatos e uma guerra nos cinco continentes que durou seis anos, ceifando a vida de sessenta milhões de pessoas e martirizando outras centenas de milhões.
O objetivo dos alemães, a “raça ariana”, os “deuses louros” era purificar a raça: deficientes, negros, ciganos, homossexuais e judeus foram presos e assassinados. Aos judeus, chamados por Hitler de bacilos, foi dado tratamento diferenciado. Mais de seis milhões deles, ou mais da metade dos existentes, foram caçados, presos em condições insuportáveis, assados em fornos industriais: enfim exterminados. A esse crime inenarrável deu-se o nome de Holocausto. É esse crime, recheado de provas irrefutáveis que os muçulmanos e o doentio “presidente” do Irã se recusam a reconhecer.
Contei essa história toda para dizer que: negar o holocausto é desconhecer a história e escarnecer do sofrimento de toda a humanidade. Os alemães se redimiram.

Theófilo Silva é presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

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CULTURA Theófilo Silva

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A Justiça e as Botas

THEÓFILO SILVA

A devastadora entrevista de um senador por Pernambuco sobre a corrupção no PMDB, o retorno triunfal de corruptos notórios ao palco central da política e a recente discussão pelo STF de soltar os criminosos cujo processo não tenha transitado em julgado lembraram-me de um diálogo que há muito eu queria apresentar aos leitores.

Em Henrique IV – parte II, escrita em 1598, Shakespeare filosofa acerca da ação da justiça em relação aos ladrões de dinheiro público. Um pilantra conversa com um empregado de hotel acerca do roubo que estes farão na carruagem que transporta o tesouro do rei, que passará por ali dentro em pouco. O Camareiro aponta a ele os riscos que correrão ao praticar tal crime. O gatuno, Gadshill informa-o de que ele não é um ladrão qualquer, pelo contrário, é muito bem relacionado. Que seus amigos são poderosos, e que “têm lá suas preocupações”. Diz, Gadshill:

Gadshill – …Porque estão continuamente preocupados, rezando ao próprio patrono: a riqueza pública, ou melhor dizendo, não estão rezando para ela, pois que a devoram… Porque a esfolam de cima para baixo e fazem botas com a sua pele.
Camareiro – Como! Fazem botas com a riqueza pública? Resistirão à água dos maus caminhos?
Gadshill – Claro, claro. A Justiça as engraxa.

Agradeço a Shakespeare todos os dias, por essa sábia conversa. Estamos falando do século XVI, de uma imagem que é um retrato fiel do Brasil do século XXI. “Esfolar a riqueza pública e fazer botas com ela, para serem engraxadas pela justiça”, é ver demais.

Ah! Como precisamos de um choque de moralidade no Brasil, nasceria um país novo daí. É só perguntar ao povo nas ruas. “A sabedoria grita nas ruas e ninguém escuta”. Se alguns de nossos juízes que compõem as chamadas cortes superiores lessem o diálogo de Gadshill e o Camareiro e impedissem o “engraxamento das botas”, nasceria um país novo daí.

É inacreditável, mas o mero fato de um juiz de corte superior aceitar uma denúncia criminal vira motivo de festa. Lembremo-nos da alegria da imprensa e da sociedade quando o STF acatou a denúncia do chamado Mensalão. Pergunto: quando teremos no Brasil uma “Operação Mãos Limpas”  semelhante a dos italianos.

Diante do quadro de impunidade existente no Brasil – em relação aos poderosos, já que existe justiça para os pobres -, nos perguntamos: até quando a sociedade brasileira suportará essa situação? O que faremos?

Na Idade Média, Lady Constança fala ao rei João Sem-Terra: “… Logo, quando a própria lei não passa de injustiça, com que direito impediria a lei que minha língua lançasse maldições”?

Concordamos com Constança. Continuemos amaldiçoando.

Theófilo Silva é presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília

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CULTURA

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A Medicina e os Cães 

 

THEÓFILO SILVA

 

Tempos difíceis para os doentes, aqueles do século XVII, em que Shakespeare viveu. Trago um exemplo da peça Ricardo II que nos dá um quadro bem diferente dos dias de hoje. Velho e doente, John de Gaunt, outrora poderoso duque, lamenta o banimento de seu filho pelo Rei Ricardo II, fato que contribuirá para apressar seus dias. Ricardo responde: “ora, meu tio, tendes muitos ainda por viver”. A resposta de Gaunt é pronta e sábia: “Mas não podeis alongá-los, rei, nem um só minuto. Podeis encurtar meus dias e retirar minhas noites; mas não vos é dado conceder-me um amanhã”.
Hoje, a medicina pode conceder-nos um amanhã, um ano ou até mesmo décadas. A medicina faz milagres. Apontei o século XVII, o que viveu Shakespeare – e da descoberta da circulação do sangue por Harvey – mas essas dificuldades vão até a segunda metade do século XIX, quando a dor é suprimida nas cirurgias, com o advento da anestesia. Uma outra grande revolução viria a ocorrer na década de quarenta, com a descoberta da penicilina, a mãe dos antibióticos. Hoje, a maioria das pragas estão erradicadas – continuam na África – Sarampo, Poliomielite, Cólera, Tuberculose, Sífilis, Lepra, Difteria e outros males horríveis fazem parte do passado.
A tecnologia aliou-se a ciência médica e tem feitos coisas inimagináveis no que diz respeito à cura de doenças. Dia a dia novas descobertas são acrescentadas prolongando a vida do homem. Se a média de idade de um europeu no início do século XX era de 36 anos, hoje na Holanda é de 80 anos. Mais que o dobro de um século atrás. O mapeamento da hélice de DNA antecipará a cura de doenças genéticas. A clonagem de animais a partir de uma única célula já se permite pensar na reprodução de seres humanos semelhantes. Uma situação que produz calafrios em todos nós. Essa assustadora possibilidade criou uma nova ciência, a Bioética. E mesmo que o Câncer e a AIDS continuem levando muitas almas, hoje se vive mais e melhor.
Mas, infelizmente, essa revolução na medicina tornou o homem um refém de um emaranhado de redes. Vejo que há uma relação promíscua entre laboratórios, hospitais, farmácias e médicos. As farmácias familiares não existem mais, hoje gigantescas redes controlam o mercado. A poderosa indústria farmacêutica, quase toda estrangeira, tem um controle quase absoluto sobre suas fórmulas. Os hospitais de uma determinada região são quase todos controlados por monopólios. Muitos médicos se tornaram reféns das indústrias de equipamentos médicos e dos laboratórios, que lhes ditam soluções prontas para todas as enfermidades. Existe um grupo de maus profissionais que em seus diagnósticos apenas repete o que os laboratórios dizem, sem individualizar os casos.
O doente, hoje, é visto na maioria das vezes como uma fonte de renda a ser explorada. Cartões de fidelidade a um único medicamento, com um suposto sistema de descontos, prendem o doente a um tipo de contrato que pode durar meio século. Há uma guerra permanente entre laboratórios e redes de farmácia por esse doente/cliente.
O abuso no tratamento de pacientes idosos em UTIs é uma constante. Já, as crianças essas são pacientes indesejáveis. Se John de Gaunt, rico como era, pertencesse aos nossos dias, teria vivido muitos mais tempo, e consumido seu dinheiro em leito de hospitais.
Quando o tirano Macbeth disse: ‘atirai a medicina aos cães! Não preciso dela”. Relembro a resposta honesta de seu médico: “atos contra a natureza geram desordens contra a natureza”. Precisamos desses médicos conscienciosos que digam não ao mercantilismo, e existem muitos deles; que vejam as pessoas como gente e não como investimento. A medicina está cercada de cães, precisamos afastá-los para que eles não nos afastem de nossos médicos.

Theófilo Silva é Presidente da Sociedade Shakespeare de Brasília e Colaborador do site www.washingtonbarbosa.com .

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