Rogério Neiva

Estratégias de Estudo para Concursos

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Fazer exercícios

direcionados por temas

Por Rogerio Neiva

 rogerio

A realização de exercícios pode proporcionar uma grande contribuição aos estudos. Esta compreensão é consenso entre concurseiros e também é sustentada por vários fundamentos psicopedagógicos. A presente técnica de estudo pode ter várias finalidades e ser realizada a partir de várias estratégias. Dentre estas, realizar exercícios de forma direcionada (e não aleatória) tem grande importância e pode proporcionar uma significativa contribuição aos estudos.

A técnica da realização de exercícios é fundamental. E isto poucas pessoas refutam. As principais finalidades dos exercícios são duas: (1) proporcionar a reiteração do contato intelectual com o conteúdo estudado; (2) identificar a falta de domínio de determinados conteúdos, que podem ter sido estudados ou não.

Por outro lado, pensando em termos de estratégia, os exercícios podem ser feitos de forma aleatória ou direcionada. Fazer exercícios de forma aleatória é o que acontece quando pegamos uma prova qualquer e começamos a resolver. Fazer exercícios de forma direcionada é quando elegemos um determinado assunto, como por exemplo o assunto que estudamos recentemente, e passamos à resolução de uma bateria de questões.

Pensando nas finalidades e estratégias, a identificação dos assuntos que não dominamos a partir dos exercícios é muito importante para termos consciência das nossas fraquezas e deficiências. E esta finalidade dos exercícios pode ser viabilizada a partir da estratégia de realização de provas, ou seja, na prática fazer exercícios de maneira aleatória. E isto também se relaciona com o que chamo de diagnóstico da reprovação, isto é, a análise de quais questões que erramos na prova e a apuração dos erros decorrentes da falta de domínio de determinados assuntos, bem como a identificação da causa desta falta de domínio, isto é, se decorre da falta de estudo ou da falta de recordação (clique aqui para saber mais sobre o Diagnóstico da Reprovação).

Mas pensando na finalidade de reiteração do contato com o conteúdo estudado, uma estratégia bastante eficaz consiste na realização de exercícios de forma direcionada. Ou seja, estuda-se um determinado assunto e após submete-se a uma bateria de exercícios. Isto pode ser feito imediatamente após o estudo ou não, ou seja, alguns dias depois.

Isto é muito importante e eficaz para a formação das memórias de longo prazo. Neste caso, entra em ação dois dos fatores estratégicos para a formação da memória de longo prazo.

O primeiro consiste na repetição, pois no caso promove-se uma reiteração de contato intelectual com o assunto estudado. O segundo consiste na consistência cognitiva, pois ao tomarmos contato com determinada informação por outro meio, estamos promovendo uma nova mobilização e elaboração cognitiva e intelectual, envolvendo um mesmo assunto. Isto porque estudamos anteriormente o assunto num livro ou na aula, e posteriormente fazemos exercícios deste mesmo assunto.

Há ainda uma terceira finalidade positiva que pode ser considerada. É que esta experiência proporciona ao candidato maior familiaridade com a realização de questões. Ou seja, exerce o papel de treino.

Não por acaso, no estudo publicado ano passado pela Associação de Psicologia Científica dos EUA sobre Técnicas de Estudos (“Improving Students’ Lerarning With Effetive Learning Techniques”), a realização de exercícios foi considerada, pelos mesmos motivos, uma das técnicas de estudo de maior utilidade.

Alem do mais, ao fazer exercícios de forma direcionada, também e possível identificar temas que, mesmo tendo sido estudados, ainda não estão dominados.

Mas para isto, é importante contar com algum recurso que permita o levantamento de exercícios de forma temática.

Portanto, pense na possibilidade de agregar aos seus estudos esta estratégia, a qual pode reforçar o que não apenas pode ajudar na consolidação do que foi estudado, como também a identificar o que precisa contar com algum reforço.

Obra do autor

A obra “Como se preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento”, do autor Rogerio Neiva, oferece meios eficientes e racionais para você buscar sua aprovação em concursos e exames. Ele é fruto da experiência de alguém que viveu e vive intensamente há mais de uma década a preparação para o concurso público. (Saiba mais)

Técnicas de Memorização

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Memórias Episódicas

para Lembrar

Conceitos nas Provas

 memorização

O uso e mobilização da memória, enquanto função cognitiva, trata-se de tema estratégico e de grande importância no processo de preparação para concursos públicos. Não por acaso existem vários textos publicados aqui no Blog que tratam do presente assunto, com diversas abordagens.

Inclusive as memórias episódicas já foram abordadas em outro texto específico. Mas o objetivo agora é trabalhar com as memórias episódicas em outro sentido, apresentando uma nova modalidade de aplicação útil deste conceito.

Primeiramente, cabe esclarecer que, quanto ao objeto memorizado, as memórias semânticas, que são aquelas que não contam com natureza psicomotora, se dividem em conceituais, as quais correspondem aos conceitos e informações que aprendemos, bem como episódicas. Estas, por sua vez, consistem naquelas que contam com um caráter factual, ou seja, uma experiência real e vivenciada (IZQUIERDO, Ivan. “Memória”. Porto Alegre: Artmed, 2002, págs. 16/17).

Geralmente, no processo de preparação para concursos, somente trabalhamos e pensamos na formação de memórias conceituais. Mas as memórias episódicas também podem ser bastante úteis e trabalhadas de forma estratégica, principalmente no processo de evocação, isto é, de recordação da informação que precisamos resgatar, inclusive nas provas.

Como assim?

Por vezes pode ser que o resgate da informação ou conceito seja viabilizado exatamente a partir da experiência real vivenciada no contato que tivemos com este conceito, ou mesmo envolvendo uma situação real na qual este conceito foi aplicado.

Vou dar um exemplo banal, mas que reflete a ideia e facilita a sua compreensão.

Havia uma palavra em inglês quanto a qual eu tinha certa dificuldade em memorizar. Naturalmente que as causas desta “dificuldade” – sendo que tenho dúvidas se esta é a palavra certa, por si só, daria um longo estudo e reflexão. Faço tal afirmação pois, por vezes, a causa da não viabilização da memorização e capacidade de evocar uma informação decorre do processo de contato ou estudo que foi realizado (clique aqui para ler uma experiência interessante e útil que tive, exposta no texto sobre Técnicas Mnemonicas).

Mas o fato é que aquela palavra, apesar dos vários contatos que eu tinha tido, não conseguia lembrar. Um dia, numa determinada ocasião específica, estava lendo um livro em inglês, com a minha esposa ao lado. E apareceu a tal palavra (na verdade era um verbo). Naquele momento, me lembro até de uma terceira pessoa que se aproximava para nos abordar, a qual saiu logo em seguida. Daí, como não me lembrava da palavra, indaguei minha esposa se ela sabia, a qual sabia e me esclareceu.

A partir daquele momento, sempre que vou evocar aquela palavra, a mencionada experiência episódica me vem à mente, antes mesmo da tomada de consciência da evocação do significado da palavra, a qual vem logo em seguida.

Mas o que ocorreu naquela experiência e o que ocorre quando me lembro a palavra da mencionada maneira?

Resposta: eu resgato uma memória conceitual a partir de uma memória episódica!

O Prof Antonio Damásio, neurocientista e neurologista, uma das maiores autoridades da neurociência na atualidade, coloca em um dos seus livros um relato sobre uma situação na qual estava em casa e, de repente, lembrou de um antigo amigo, bem como de experiências vivenciadas com este amigo. Daí começou a estudar e analisar a causa daquela evocação espontânea. Após longas investigações, levantamento de hipóteses e estudos, ele constatou que havia feito um movimento ao andar semelhante à forma como o seu amigo andava. (“E o cérebro criou o homem”. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 168).

Ou seja, uma memória psicomotora, inclusive de forma inconsciente, levou à evocação de uma memória episódica.

Tudo bem, mas como a ideia apresentada pode ajudar nos concursos públicos?

De várias formas e, desde já, comece a pensar nisto! Aliás, a minha proposta é apresentar conceitos e provocar reflexões estratégicas e atitudes pragmáticas e utilitáriasNão é a intenção vender verdades absolutas e fórmulas mágicas fechadas, ao contrário do que há por aí, por parte dos especialistas (sem especialização) em preparação para concursos.

Mas uma sugestão importante é que, por exemplo, ao estar fazendo uma prova e precisar evocar um conceito que não consegue lembrar, tente lembrar da experiência ou situação na qual teve contato com este conceito. Como no caso da experiência acima narrada.

Por outro lado, ao tomar contato com conceitos, ou seja, ao estudar individualmente ou assistir uma aula, tenha atenção às circunstâncias, pois a evocação destas circunstancias (memória episódica) pode ajudar na evocação do conceito ou informação exigidos no momento da prova (memória conceitual).

Portanto, tende usar as memórias episódicas como uma aliada!

543450_330382563683210_301636433_nProf. Rogerio Neiva:

  • Juiz do Trabalho desde 2002
  • Procurador de Estado de junho de 1999 a agosto de 2000
  • Advogado da União (AGU) de março de 2001 a agosto de 2002
  • Professor Universitário (graduação e pós graduação) – desde de 2000
  • Professor de Cursos Preparatórios para Concursos – desde 2000
  • Pisocopedagogo com pós graduação latu sensu em psicopedagogia clínica e institucional
  • Pós Graduado latu sensu em Direito Público – UDF
  • Pós Graduado em Administração Financeira – FGV
  • Pós Graduando em Neuroaprendizagem
  • Desenvolve orientação voltada à preparação para concursos públicos, a partir de abordagem empírica e científica, trabalhando com três eixos conceituais: Planejamento, Aprendizagem e Gestão Emocional
  • Vice-Coordenador da Escola da Magistratura do Trabalho da 10ª Região – Gestão 2005/2007 e 2009/2011
  • foi membro da Comissão do Conselho Nacional de Justiça instituída para estudos sobre a Emenda Constitucional 62
  • Criador do SISTEMA TUCTOR

Autor dos Livros:

PROCESSO DO TRABALHO DOS TEMPOS MODERNOS

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É preciso discutir

o conciliador na

Justiça trabalhista

Por Rogério Neiva

conciliação

 

Um tema importante para a reflexão atualmente no Direito Processual do Trabalho envolve a seguinte pergunta: o artigo 277, § 1º, do Código de Processo Civil se aplica ao Processo do Trabalho?

Para começar a reflexão, naturalmente, é preciso partir da compreensão do dispositivo, o qual conta com a seguinte redação: “A conciliação será reduzida a termo e homologada por sentença, podendo o juiz ser auxiliado por conciliador.

A aplicação do CPC ao Direito Processual do Trabalho, conforme a previsão do artigo 769 da CLT, depende de dois requisitos, quais sejam, omissão e compatibilidade. Quanto ao primeiro, não há dúvida de que inexiste norma específica sobre o tema no texto consolidado. Quanto ao segundo requisito, a questão exige um pouco mais de cuidado e argumentação.

Portanto, vamos à análise da existência ou não de compatibilidade.

Primeiramente, é preciso reconhecer que há diversos dispositivos na legislação processual trabalhista que prestigiam a conciliação, enquanto meio para resolução do conflito judicializado. O artigo 764, caput, da CLT estabelece que “Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação”. Ou seja, a tentativa de conciliação não se trata de uma faculdade, mas de ato de observância imperativa.

Já o § 1º do mesmo dispositivo vai mais longe, impondo ao Juiz do Trabalho o empenho necessário à busca da conciliação, ao estabelecer que “os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos”. E desta norma vem um primeiro aspecto importante para encontrar a resposta objeto do presente texto: qual o alcance deste emprego de “bons ofícios e persuasão”? Isto pode envolver uma inteligência dos meios empregados para o alcance do resultado esperado pela norma?

Não há dúvida que sim! Por outro lado, o artigo 764 da CLT não estabelece expressamente que o Juiz do Trabalho tem o monopólio da mediação judicial e da conversa com as partes. O referido dispositivo exige, na realidade, que o Juiz do Trabalho seja inteligente e eficiente no emprego dos meios voltados à conciliação.

Além disto, também não há dúvida de que o artigo 277, § 1º do CPC tem embutido uma lógica de inteligência e otimização de recursos humanos na mediação judicial.

Todos sabemos que o tempo consiste num dos recursos mais escassos para cumprir uma pauta de audiência. E o auxílio de conciliadores-não Magistrados pode permitir a ampliação deste recurso tão valioso chamado tempo.

É óbvio que é preciso capacitação e criação de condições, inclusive estruturais, para que a aplicação da referida norma ocorra de maneira adequada. Porém, do ponto de vista teórico e conceitual, a premissa é de que o auxílio de conciliadores que não ostentam a condição de Magistrados ocorreria de forma adequada, principalmente em termos de capacitação. Mas a execução da aplicação do dispositivo corresponde a um tema específico de política judiciária.

Portanto, pela lógica do artigo 764, § 1º da CLT, o artigo 277, § 1º do CPC é manifestamente compatível com o Processo do Trabalho.

E mais, não há nenhuma norma na CLT que estabeleça expressamente a existência do monopólio da mediação judicial por parte do Juiz do Trabalho. Inclusive, o artigo 846 da CLT estabelece que “Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.”, de modo que não diz que “apenas”, “somente”, “exclusivamente” ou ”privativamente” “o juiz ou presidente proporá a conciliação.”. Aliás, ainda que se entenda que tal dispositivo contempla ato privativo do Juiz, este poderia propor a conciliação e deixar as partes conversando com o conciliador, convocado a auxiliar na forma do artigo 277, § 1º do CPC.

Poder-se-ia ainda sustentar que o referido dispositivo depõe contra o princípio da proteção, pois o Magistrado não estaria diretamente em contato com a parte hipossuuficiente, a tornando vulnerável a conciliações inadequadas para os padrões tutelares do Direito e Processo do Trabalho. Contudo, este argumento não vai longe.

Primeiramente pelo fato de que a homologação do acordo, conforme os termos do artigo 831 da CLT, trata-se de ato que compete exclusivamente ao Juiz do Trabalho, o qual deve não apenas homologar, mas controlar o seu conteúdo. Por outro lado, conforme a tese da Súmula 418 do TST, o Juiz do Trabalho não é obrigado a homologar acordos, o que significa que cabe a este avaliar o que está sendo proposto e, se entender que não é adequada a proposta, se recusar à homologação.

É bem verdade que há vozes no sentido de que adotar o referido dispositivo seria abrir as portas para o retorno da representação classista à Justiça do Trabalho. Não obstante a falta de cientificidade deste argumento, contando com natureza puramente política e corporativa, este revela o desconhecimento ou dos mecanismos atuais de Resolução Apropriada de Disputas, nos quais se insere o artigo 277, § 1º do CPC, ou o que foi a chamada representação classista. Mas o fato é que, definitivamente, um modelo não tem qualquer relação com o outro.

De qualquer forma, independente da conclusão que se chegue e dos posicionamentos que sejam assumidos, é preciso que o tema seja discuto de frente e sem receios, com a contraposição de argumentos teóricos, conceituais e práticos. Sem que os compreensíveis medos e traumas do passado impeçam a reflexão, o debate e a evolução.

Rogério Neiva é juiz do Trabalho da 10ª Região.

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