Quinto Constitucional

Eleições Limpas

Postado em

Ex-conselheiro federal

da OAB terá de

indenizar ex-presidente

da OAB-DF

Por Bruno Lee

É muito importante que se mantenha a lealdade e a fidalguia durante um processo eleitoral.

Atuou bem o Judiciário Nacional ao punir os excessos no processo de indicação para vaga do quinto constitucional para o Superior Tribunal de Justiça na Seccional da OAB DF.

Após ler a matéria publicada no CONJUR, veja também  Quinto Constitucional na OAB DF

Washington Barbosa

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O ex-conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil Délio Fortes Lins e Silva foi condenado a pagar indenização de R$ 75 mil, por danos morais, a Estefânia Ferreira de Souza Viveiros, ex-presidente da seccional da entidade no Distrito Federal.

O processo começou porque no dia 11 de setembro de 2011, em sessão pública que definiria a lista sêxtupla para uma das vagas de ministro Superior Tribunal de Justiça, Lins e Silva recusou o nome de Estefânia (foto), alegando que ela não tinha reputação ilibada.

Durante a reunião, o então conselheiro afirmou que quando foi do conselho OAB-DF e presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, viu “de muito próximo”, Estefânia “conceder carteiras a ‘amigos’, manipular resultados em favor de faculdades onde ela era empregada” e vender de gabaritos do Exame de Ordem para cursinhos preparatórios. Estefânia, então, ajuizou as ações criminal e civil contra Lins e Silva.

A 23ª Vara Cível de Brasília, que julgou improcedente pedido de indenização por danos morais, sob o fundamento de que era necessária a suspensão do processo civil até o trânsito em julgado da ação criminal. A advogada recorreu e a 5ª Turma do TJ-DF acolheu o recurso.

Segundo os desembargadores, a responsabilidade civil é independente da criminal, portanto, o juiz não é obrigado a suspender o processo civil quando uma ação penal é instaurada para discutir o mesmo caso. Isso porque o artigo 64 do Código de Processo Penal torna a suspensão facultativa, ao dizer: “Intentada a ação penal, o juiz da ação civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela”.

Lins e Silva (foto), em sua defesa, afirmou que apenas exerceu dever público, em nome da bancada de advogados do Distrito Federal, de se manifestar pela ausência de reputação ilibada da candidata.

O relator do recurso no TJ-DF, desembargador Luciano Vasconcellos, argumenta que ele fez mais do que isso. “Não poderia o conselheiro se utilizar de imputações que não foram objeto de condenação judicial, uma vez que vigora no ordenamento jurídico brasileiro o princípio da não culpabilidade, a presunção de inocência.”

Vasconcellos acrescenta que não cabe o argumento de que Lins e Silva agiu acobertado por sua imunidade de advogado. “Não estava o conselheiro atuando como advogado na ocasião, e, ainda que estivesse, a imunidade prevista em lei acoberta a prática de injúria ou difamação, mas não a imputação de fato definido como crime, o que constitui o crime de calúnia”.

Em conclusão, o relator diz “considerando que se trata de ofensa praticada diante de uma quantidade considerável de pessoas, desprestigiando uma profissional diante de toda comunidade jurídica e não jurídica, com repercussão que pode ter sido nacional, o valor de R$75 mil é o que mais se adequa para servir de reparação”.

Processo 2012.01.1.197304-4

Clique aqui para ler a decisão.

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Quinto Constitucional OAB DF

Postado em Atualizado em

Um passo importante

para a

democratização do

Acesso ao

Poder Judiciário

Por Washington Barbosa*

 tjdft

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal, deu um passo importante para a democratização do acesso ao Poder Judiciário, pela primeira vez em sua história, o Distrito Federal terá eleição “semi-direta” para os candidatos à vaga do quinto constitucional do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

A figura do quinto constitucional apareceu a primeira vez em uma constituição brasileira em 1934, que, em seu art. 4º estabelecia:

“Na composição dos tribunais superiores, serão reservados lugares,

correspondentes a um quinto do número total,

para que sejam preenchidos por advogados

ou membros do ministério público…”

A eleição direta de candidatos para compor a lista do quinto constitucional já vem sendo utilizada por algumas seccionais da OAB, dentre elas pode-se citar Bahia,  Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco.

A Resolução n. 2, de 15/05/14, estabeleceu as condições para o processo de escolha da lista sêxtupla de advogados a vagas de Desembargadores do TJDFT e TRT-10. O processo prece consulta direta aos advogados regularmente inscritos e não licenciados no Conselho Seccional do DF. A votação ocorrerá pela internet e dará acesso dos candidatos ao banco de endereços eletrônicos dos advogados, quando poderão enviar até três e-mails esclarecendo os motivos de sua candidatura. Cada advogado poderá votar em até 12 nomes, sendo eleitos os doze candidatos mais votados.

Após a votação e eleição direta, os candidatos mais votados serão submetidos à arguição pública perante a Diretoria do Conselho Seccional. Considerando os quesitos: papel do advogado, compromisso com o regime democrático, defesa e valorização da advocacia, princípios gerais do direito, relação entre advogados, juízes, membros do Ministério Público e serventuários, problemas inerentes ao funcionamento da justiça, assim como temas de grande repercussão para o direito; a Diretoria, composta pelos Conselheiros titulares e membros honorários com direito a voto, em votação direta, escolherá os seis candidatos mais votados que comporão a lista sêxtupla que será encaminhada ao TJDFT.

Em primeiro lugar, há de se elogiar a inovação trazida pela atual Diretoria da OAB-DF que certamente será reconhecida pela classe de advogados, pelo Judiciário e pela comunidade em geral.

De outro lado, é de suma importância a participação efetiva de todos os membros da OAB-DF para que a eleição recaia sobre pessoas que efetivamente representem a posição da classe e que privilegie a escolha dos candidatos mais preparados.

É muito fácil questionar o processo de nomeação dos membros dos tribunais de segunda instância e dos tribunais superiores. Muitos de nós, nos mais diferentes fóruns, já questionamos a qualidade técnica, o conhecimento jurídico, a competência e o comprometimento de alguns dos membros do Judiciário.

Agora é a hora de influenciarmos diretamente a indicação de um desembargador do TJDFT; é a hora de escolhermos com cuidado, sem apadrinhamentos políticos ou familiares. Não adianta reclamar depois.

Neste sentido, faz-se presente a necessidade de se avaliar com rigorosos critérios técnico-jurídicos os possíveis candidatos. Qual a sua história na advocacia? Como ele se relaciona com os demais membros da classe?

Mais do que isso, qual a sua competência técnica, tanto do ponto de vista profissional, quanto do ponto de vista acadêmico. Sim, não somente um advogado atuante, mas também e diria, principalmente, um operador do direito. Tanto clamamos por decisões juridicamente mais embasadas e doutrinariamente fundamentadas, essa é a hora de se valorizar a produção acadêmica aliada à prática profissional.

Um candidato adequado, a meu ver, seria aquele que aliasse o conhecimento dos bancos de escola à vivência de esfregar a fivela no balcão.

Dessa forma, cara colega advogada e caro colega advogado, é de suma importância se avaliar detalhadamente o currículo de cada candidato, qual a sua titulação, qual a sua produção acadêmica, qual sua participação perante a comunidade e os fóruns de discussão jurídicos; ainda, qual a importância de sua trajetória como advogado, qual a sua relação e experiência perante os tribunais do Distrito Federal, qual sua relação com clientes, parceiros advogados e com a comunidade em geral?

wb2014* WASHINGTON LUÍS BATISTA BARBOSA é especialista em Direito Público e em Direito do Trabalho, MBA Marketing e MBA Formação para Altos Executivos.

Desempenhou várias funções na carreira pública e privada, dentre as quais: Assessoria Jurídica da Diretoria Geral e Assessoria Técnica da Secretaria Geral da Presidência do Tribunal Superior do Trabalho, Diretor Fiscal da Procuradoria Geral do Governo do Distrito Federal, Cargos de Alta Administração no Conglomerado Banco do Brasil. Coordenador dos Cursos Jurídicos preparatórios para concursos públicos e de pós-graduação. Editor dos blogs www.washingtonbarbosa.com, www.twitter.com/wbbarbosa e www.facebook.com/professorwashingtonbarbosa Autor de vários artigos publicados em revistas especializadas.