CULTURA

O PODER DA IMAGINAÇÃO

Postado em Atualizado em

Os Homens Mofados

Por Theófilo Silva

Quando Hamlet encontra Fortimbrás, jovem príncipe norueguês, conduzindo um exército para um ataque a um pedaço da Polônia, íngreme e desprovido de riqueza, apenas em busca de glória, ele dispara mais um de seus solilóquios. Diz Hamlet: “De que valeria o homem, se o bem principal e o interesse de sua vida consistissem em comer e dormir? Não passaria de um animal”. E conclui: “Aquele que nos criou com uma tão vasta inteligência, que abrange o futuro e o passado, não queria que nos cobríssemos de mofo por falta de uso”. E elogia a inquietude de Fortimbrás, que abandona o conforto em que vive, para sair pelo mundo em busca de ação.
Talvez a maior riqueza do homem repouse na coragem e no trabalho árduo. No poder de dizer sim e não, quando necessário, na coragem de enfrentar a injustiça, a opressão, a calúnia, a inveja, enfim, as vicissitudes da vida. Quando a coragem se alia ao trabalho uma mola propulsora é acionada, e realizamos coisas que sequer imaginamos. A fé é outra grande arma, mas a fé desprovida de coragem não leva a coisa alguma.
Outra poderosa força humana é a imaginação. Que seria do ser humano se não fosse à imaginação! Que seria de nós sem a arte? Sem música, literatura, cinema, pintura. Do poder de ver as coisas sobre ângulos diferentes. Que capacidade não tem a leitura para nos transportar para universos e espaços que somente a imaginação pode alcançar?
Se você não nasceu num palácio, não tem um jato particular, não tem um iate, não mora no melhor lugar de Paris ou Londres, nem pode ir a um estádio no outro lado do mundo para assistir ao final da copa do mundo ou de uma olimpíada, o que então pode fazer para saciar seus impulsos e desejos? O que fazer para atender às necessidades de uma mente inteligente que está impedida de ter acesso a esses lugares interessantes, acessíveis somente a pouquíssimos endinheirados?
É aí que entra a imaginação! A imaginação pode suprir, e com sobra, essas carências. Uma mente imaginadora e criativa tem força ainda maior de satisfação do que o de uma mente tacanha e abastada. Diria que as possibilidades de uma mente imaginativa são ainda maiores. Se você não pode ir a Estocolmo ou Moscou, a Leitura pode lhe oferecer mais, que é transportá-lo para esses lugares em épocas passadas, por intermédio de um romance ou livro de história. Se você pode ter acesso às duas formas de viagem, ótimo, a diferença é que uma é gratuita e a outra demanda muito dinheiro.
A inquietação é uma grande promotora de satisfação e felicidade. A procura de segurança no serviço público, num casamento de conveniência, numa profissão infrutífera, enfim, numa vida acomodada e amolecida pode ser um grande logro, um desperdício e, mais cedo ou mais tarde, a sensação de fracasso virá. Já que a vida requer ação e, mesmo cheia de incógnitas e armadilhas, é preciso imaginar, criar, fazer, construir, realizar.
Oscar Wilde concordava com Hamlet sobre a importância de se realizar coisas, pois, para Wilde, “Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. Sim, o mundo está povoado de existências assim: sonâmbulas, esvaziadas, tumulares. Alguém já apontou o ócio como a cozinha do inferno. E é isso que é mesmo. Alguns apontam o serviço público como um cemitério de talentos. É assim que muitos aposentados se veem quando olham para trás, mesmo num país onde trabalhar no governo é um privilégio.
Tem uma frase já modificada atribuída a Theodore Roosevelt (presidente dos EUA, um vulcão de múltiplas capacidades), Luther King e John Kennedy que diz mais ou menos o seguinte: “O merecimento maior é do homem que se encontra na arena, com o corpo sujo de poeira, suor e sangue, cheio de entusiasmo e devoção, que mesmo tendo fracassado, não pode ser substituído por essas almas tímidas e frias que não conhecem vitórias nem derrotas”.
Os que nada fazem, não se iludam, não passam de um animal! Quem não é de ação nem usa a imaginação está coberto de mofo. É isso que Shakespeare diz para todos nós.

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site http://www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DO SITE http://www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

UMA SOMBRA QUE PASSA

Postado em Atualizado em

O IMPÉRIO DA VERDADE!

Por Theófilo Silva

Fico me perguntando como seria o mundo se todos nós vivêssemos sob o império da verdade? Digo império, no sentido de signo. Para a maioria dos homens, a verdade é um grande estraga prazeres e, o mundo seria totalmente sem graça caso a verdade fosse o emblema de todos. Discordo! Sei que essa discussão é de Kant, Spinoza, Platão, para citar apenas os mais preocupados com a verdade. Mas não custa dar algum palpite.
Leitores e amigos me acham pessimista, alguém que escreve sobre coisas negativas, quando há tanto o que comemorar no mundo; que eu deveria me deter nas vitórias e conquistas da humanidade, em vez de ficar choramingando, criticando as pessoas, os homens públicos e as instituições. Pode ser. Acho que a vida deve ser celebrada todos os dias. O problema é que existem bilhões de pessoas que não têm motivos para comemorar. Então, por que não escrever sobre a injustiça do mundo e dos homens!?
Apenas 10% da população mundial vivem confortavelmente. Num total de seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta Terra. Façamos as contas, e vamos perceber que a quantidade de pessoas que ficam de fora do bolo é aterradora.
E o mundo é muito desigual, fatores de toda ordem contribuem para que grupos de seres humanos espalhados pelo planeta tenham uma existência desgraçada. Desde problemas de ordem geográfica: clima, relevo, solo. Ou de ordem cultural, étnica, social, religiosa, institucional. Um único fator, ou a combinação de alguns deles, é o bastante para que agrupamentos humanos, ou mesmo nações, vivam sob o signo da miséria.
Muitas nações já conseguiram oferecer tudo aos seus cidadãos, pelo menos em termos materiais isso ocorreu. Já a maioria não consegue sequer alimentá-los.
Todos nós, a exceção de um número ínfimo de estudiosos, achamos que temos a resposta para esse cruel estado de coisas. Passando pela religião, antropologia, história, todos têm respostas. Ao longo dos últimos séculos, todas as respostas caíram. É verdade que o homem aprendeu a domar muitas das forças da natureza e debelou a maioria das doenças que dizimavam a humanidade. Mas, há tanto, tanto por fazer!
A vida do homem na terra ainda não deixou de ser a vida de um animal na selva, de luta brutal pela sobrevivência – Darwinista mesmo – em que os mais fortes destroem os mais fracos, e os mais aptos pegam os nacos disponíveis. Dá nojo participar desse jogo cruel!
Para alguns, Deus não passa de uma invenção. Para outros, ele é o criador de tudo e interfere diretamente nas nossas vidas e pune nossos erros. Os grandes líderes místicos, com o objetivo de tornar o mundo mais pacífico e melhor de se viver, criaram as religiões e ensinaram mensagens de paz, amor e bem-querença. Com o tempo tiveram seus ensinamentos desvirtuados e religiões tornaram-se tão corruptas como qualquer organização criminosa. A ciência nos deu muito, nos tirou algumas coisas e foi a maior responsável por nossa multiplicação.
O que quero dizer é o seguinte: afinal, o que é a vida sobre a Terra? Criar a família? Amar a Deus sobre todas as coisas? Ganhar a maior quantidade de dinheiro possível e controlar os outros homens? Onde está a Verdade? Não sei! Ninguém sabe!
Talvez a vida seja a visão do tirano Macbeth, personagem de Shakespeare, antes da morte em batalha: “A vida é uma sombra que passa, um pobre ator que se agita no palco por um instante, é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, nada significando”.

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site http://www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE A POSIÇÃO DO SITE http://www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

O MUNDO PAROU DE LER!

Postado em

 

O SABER E A GERAÇÃO GOOGLE

Por Theófilo Silva

 

O Google e a Wikipédia estão criando “escritores e intelectuais” em grande profusão. A rapidez e a facilidade de acesso à informação, por intermédio do iphone, ipad e outros, estão fazendo com que pessoas que antes temiam um livro – aquelas que não tinham coragem de enfrentar o“monstro”, a não ser quando obrigadas a estudar – já se arriscam a “escrever” e fazer preleções sobre quase todos os assuntos, sem precisar ler um livro sequer. Normalmente a fundamentação da exposição feita por essas pessoas tem a profundidade de uma poça d’água e a originalidade de uma Xerox. Mas, que fazer?

Encarar as 1.200 páginas do romance Guerra e Paz, de Tolstói, ou às 1.700 de “Ascensão e Queda do Terceiro Reich” de William Shirer ou “O Leviatã” de Thomas Hobbes, ou ainda o “chatíssimo” Machado de Assis, que são um deleite para o leitor exigente, é uma pedreira grande e dura demais para a turma do Control C/Control V. Para esse pessoal, a obrigação de ler livros para se informar, ou mesmo para se educar, é coisa do passado. Hoje, elas não precisam mais encarar “o bicho” de frente. “Livro mesmo, só se for de Direito ou Medicina e, olhe lá”!Se a tecnologia lhes ofereceu formas de poupá-los desse sofrimento, o de ler, e ainda assim, torná-los capazes de enfrentar debates, para que perder tempo lendo um livro?

Se com um simples toque e alguns comandos eu posso ter um resumo imediato de qualquer obra, em qualquer idioma, então para que ficar lendo um livro uma semana inteira, ou até mesmo um mês, perdendo tempo com um amontoado de páginas de papel, quando poderia fazer coisas mais interessantes? Viajando por exemplo? Para que ler um livro, se na hora em que eu precisar eu aciono meu ipad, e o Google me dá um resumo do que necessito, dizem. Para essa gente, se fosse possível leríamos plugados, conectados a uma tomada! Acabaríamos com esse esforço de manusearmos livros pesados e chatos, cansando as mãos, ocupando o cérebro!

Só mesmo ironizando para refletir sobre as fraudes que estão sendo perpetradas por estudantes, professores, jornalistas, palestrantes e intelectuais, que passaram a adotar o imediatismo como forma de apreender conhecimento e o de plagiar e copiar textos literários e trabalhos escolares e científicos se utilizando dos sites de busca.

Sabemos que nunca vamos deter o avanço da tecnologia sobre nossa forma de interagir com o conhecimento, mas se não for feito alguma coisa para impedir que os jovens e, principalmente, os estudantes, plagiem e copiem o que encontram na Internet, teremos problemas. O plágio em todas as suas formas virou um animal sem rédeas.

O ipad é uma revolução, parece ter todos os instrumentos necessários para interagirmos com o mundo da informação. Veio para ficar, e não é ruim ler e trabalhar com ele. É um instrumento útil demais para a leitura como estudo. Para quem gosta de ler deitado, o livro de papel é ainda muito melhor de manusear. Mas em viagens, no avião, ônibus, em lugares abertos etc, o ipad dá conta do recado. Já à noite, a hora favorita dos apaixonados por leitura, dos que leem na cama ou numa confortável poltrona, o ipad não baterá o livro.

De resto, tentar impedir o avanço da tecnologia é como tentar deter as estações do ano. No entanto, como a tecnologia está sempre à frente do homem e por mais que se tente não conseguimos prever às consequências da sua capacidade de efetuar mudanças rápidas e drásticas, precisamos criar mecanismos para impedir os jovens – e denunciar os charlatães – de se utilizarem de forma desonesta dos benefícios que a ciência e a tecnologia, principalmente a digital, oferecem. Se não fizermos isso, estaremos formando uma geração de analfabetos e de indigentes intelectuais.

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

VIDA ETERNA AOS CURRUPTOS!

Postado em

O SIMPÁTICO CHARME DOS CORRUPTOS

Theófilo Silva

 

Confesso que me rendi ao charme dos gangsters brasileiros. Eles imitam bem os gangsters de Hollywood. Seus ternos, carrões (Ferraris, Masseratis e Porsches), lanchas, Rolexs, mansões, festas, viagens, jatinhos, belas mulheres… Esse glamour todo me conquistou. Aceitei o fato de que o crime compensa. Pelo menos, no Brasil tem compensado.

Há corruptos para todos os gostos, no Brasil. Como moro em Brasília, vou falar somente dos corruptos daqui. Todo brasiliense, com um pouco de informação, sabe quem são os sujeitos dos quais estou falando. São muitos, mas tem uns dez que são Top, a nata, são famosos e ultrassofisticados. Parte deles iniciou a carreira como comerciantes e acharam sua vocação na política. Depois de ocuparem mandatos e cargos públicos, tornaram-se milionários. Denunciados pelas autoridades, afastaram-se para torrar os milhões desviados.

O que me espanta nesses caras é o completo desprezo com que eles veem as autoridades brasileiras: delegados, promotores, juízes… Segundo eles, esses funcionários do governo, que ganham um salário menor do que o IPVA (que eles não pagam) de um de seus carros, são uns coitados. Eles não veem diferença entre um juiz e um empregado de cartório. “Por que perder tempo, se o processo irá para o STF e jamais será julgado”!

Esses “top ten” respondem, pelo menos, há uma centena de processos na justiça: por peculato, formação de quadrilha, extorsão, apropriação indébita, assassinato, estupro, tramitando no mínimo há vinte anos. Mesmo condenados, são réus primários, não há sentença definitiva. Por isso eles distribuem sorrisos e gastam dinheiro. Suas fotos nos jornais, apontando-os como criminosos, não os intimidam. Pelo contrário, aumentam a fama deles. Alguns só faltam dar autógrafos. Nossos “top ten” são verdadeiros superstars, com muitos admiradores. Dizem que eles encaram uma condenação por formação de quadrilha como se fosse infração de trânsito.

E como não admirá-los! Quem é que não quer ser rico? Não é por isso que lutamos, por uma existência em que o dinheiro não seja problema? Como desprezar alguém que tem tudo aquilo que eu gostaria de ter? Como julgá-los criminosos, se o STF não confirma que eles são? Quem somos nós para julgá-los! Se delegados, promotores e a imprensa afirmam que “um sujeito simpático” desviou 30 milhões de reais da merenda escolar, mas os tribunais superiores dizem que não, eu posso dizer que esse sujeito é um ladrão? Claro que não! Temos que respeitar a instância máxima do judiciário.

E eles têm imitadores – aqui na cidade, seguindo seus métodos – que ainda não foram desmascarados. Talvez a sociedade esteja errada em condenar esses homens sorridentes, bem vestidos, charmosos, sempre prontos a apertar a nossa mão, olhando dentro de nossos olhos, e dizendo: “eu sou o cara”!

Shakespeare, se os visse, diria: “esse sujeito tem tudo que um homem honesto não deve ter e do que um honesto deve ter, nada tem” ou então: “Esse sujeito, de honesto só tem as roupas que veste”. Shakespeare criou dois gangsters sedutores, Ricardo III e Macbeth, mas matou-os no final das peças!

O sucesso dos gangsters deve ser respeitado. Se desviar dinheiro público não dá cadeia, qual é o problema em fazê-lo? Ora, o mundo é dos espertos, e os tolos que fiquem chupando o dedo. Afinal, quem é a sociedade para duvidar do STF. Se o STF não os julga, por que nós devemos julgá-los?
Proponho um brinde! Vida longa aos Corruptos!

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

As Prisões Modernas

Postado em

OS MUROS QUE NOS CERCAM

Por Theófilo Silva

 

Tenho orgulho de dizer que já morei numa casa sem muros. Ainda menino, em 1970, em Fortaleza, vivi num pacato bairro, em um conjunto com pouco mais de vinte casas, todas elas com um arremedo de muro, de não mais de 90 cm de altura, que servia mais como uma espécie de banco para conversas do que qualquer outra coisa. Lembro que, de pé, dava para eu descansar os braços sobre o parapeito. O portão era frágil e servia apenas para impedir a entrada de cães e gatos.
Uns dois anos depois os muros foram acrescidos de mais um metro e vi que quase todos os nossos vizinhos fizeram o mesmo. Achei muito ruim, porque a comunicação com meus amigos ficou bem mais difícil. Nós agora tínhamos uma campainha, no alto, e os meninos não a alcançavam na hora de chamar-me para brincar. Reclamei com meu pai sobre as medidas, e ele me disse que o objetivo era afugentar os ladrões.
Logo depois foram colocados cacos de vidros no alto do muro e depois os vidros foram substituídos por pontas de ferro e, lembro que os vizinhos passaram a usar cercas elétricas. Logo surgiram histórias de gente que tinha morrido de choque elétrico ao tocarem nas cercas.
Já rapazinho, no final dos anos 1970, ouvi meu irmão mais velho, que ia casar, falar que ia morar num apartamento, porque os apartamentos eram mais seguros, e seriam a moradia do futuro. Era isso mesmo. A era das casas com jardins e sem muros acabara. Hoje vivemos em casas cercadas, e em apartamentos, que também estão cercados por muros eletrificados com guaritas e Seguranças.
É verdade que naquela época muros invisíveis nos cercavam. Vivíamos o governo Médici e Liberdade era apenas uma palavra. Esconder-se atrás de muros altos era até uma forma de permitir que as pessoas se reunissem sem serem molestadas.
Muros são símbolos de segurança e opressão. Por dois mil anos a China se protegeu de seus inimigos construindo a Grande Muralha, a maior de que se tem notícia — hoje é apenas uma atração turística. A Muralha de Adriano, construída pelos romanos, dividiu a Inglaterra em duas. Durante 28 anos, um muro que dividiu a Alemanha, e com isso o mundo em dois, foi o símbolo de uma era. Em 1979, no álbum “The Wall”, O Muro, Roger Waters, do Pink Floyd, comparou sua dores — seu pai, que não conheceu, morreu durante a Segunda Guerra— com tijolos, que formaram um muro ao seu redor.
São de varias espécies, os muros que nos cercam. Existem muros invisíveis de conteúdo social, econômico, religioso, ideológico, psíquico, familiar, político. São eles que geram os muros de concreto que separam os lares e as pessoas; enclausurando-as e estratificando-as — por causa da violência— esses muros são terríveis e nenhuma sociedade será considerada igualitária vivendo nessa condição. Perguntem aos octogenários e aos nonagenários se nos anos 40 e 50 se no Brasil, mesmo com as estatísticas de que somos um país muito melhor hoje, se não se vivia e dormia com tranquilidade nas doces casas sem muros? Queiramos ou não, a ausência de muros prova que vivíamos numa sociedade mais justa. Os muros que cercam as residências brasileiras nos transformaram numa espécie de prisioneiros.
A admiração que tenho pelos ricos irmãos do norte repousa naquelas casas com jardins sem nenhum muro a separá-las. O passo mais importante para dizer que somos iguais e, até mesmo felizes, passa por vivermos em casas sem muros.

Lembrando que devemos orar pelo Rio!

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

A VÍTIMA E O ALGOZ

Postado em

 

FORTES X FRACOS

 

 

Por Theófilo Silva

 

Uma das cenas aparentemente mais inverossímeis da obra de Shakespeare é a de Ricardo III tentando conquistar lady Anne no momento em que ela está ao lado do caixão do sogro morto. E o que é mais inacreditável é que Ricardo é o assassino. Eduardo, o marido de Anne também foi assassinado por Ricardo. Anne sabe disso, mas diante da insistência e dos argumentos dele, naquele momento em que a Ricardo a corteja, ela acaba aceitando um anel que ele lhe oferece.
Minutos antes de esbarrar em Ricardo, Anne praguejava chamando-o de “ministro do inferno” e “sapo corcunda”, amaldiçoando-o pelos males que ele tinha causado a sua família. Eduardo e Henrique, pais e filho, eram membros da família Lancaster e foram assassinados pelos York, seus rivais na chamada Guerra das Rosas, família a qual Ricardo pertence. Ricardo tinha defeitos físicos, se achava muito feio e foi um dos mais perversos reis da Inglaterra.
A cena que Shakespeare narra, e que eu chamo de quase inverossímil – um homem cortejar uma mulher, cujo marido ele provocou a morte – mexe com uma das questões mais delicadas e difíceis que o ser humano enfrenta durante a jornada da vida. Só mesmo Shakespeare consegue jogar luz sobre uma situação tão difícil e totalmente incompreendida, e mais ainda, insuportável e terrível. Refiro-me a relação entre duas pessoas em que uma é a vítima e a outra é o algoz. O carrasco.
O que faz uma pessoa aceitar calada e com simpatia a presença de alguém que a machucou, lhe causou dores e males muito além do suportável? Por que Lady Anne, que odiava Ricardo, cedeu a “cantada” do futuro rei Ricardo III, e acabou casando com ele?
A resposta é: medo. Na história de Shakespeare, a princesa Anne estava só e abandonada, ela ansiava por vida e desesperada entregou-se ao cruel Ricardo, que num futuro próximo acabará por matá-la. Na verdade, a peça de Shakespeare torna tudo mais violento. Com assassinatos a golpes de espada, uso de carrascos e outras práticas. O objetivo do dramaturgo é causar impacto na plateia. Não que seus personagens não demonstrem suas dores e angústias nos momentos difíceis que atravessam!
Aqui no mundo real, a vida se arrasta permitindo situações incompreensíveis entre vítimas e seus algozes. Em que o mais forte submete o mais fraco. Seja essa fraqueza de natureza física, emocional, econômica, social e muitas outras formas existentes, que sequer conhecemos.
O pior é que quase todas essas formas de violência não são vistas por quase nenhum de nós. Os carrascos não têm cara de violentos, nem declaram seu caráter, como o faz Ricardo III. Os perversos muitas vezes, estão do nosso lado, podendo ser nossos vizinhos, nossos amigos, nossos parentes, figuras públicas e só se identificam quando os casos vêm à tona.
O Direito incluiu em seus códigos o assédio moral, assédio sexual, Maria da Penha e mais uma ou outra lei. São esforços válidos, positivos. No entanto, essas leis pouco inibiram os abusos, que são sempre silenciosos. São múltiplas e diversas, as formas de submissão. Seus perpetradores são bons atores circulando nesse imenso palco que é o mundo. Shakespeare sabia disso. Nós teimamos em não enxergá-los.

 

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

FICHA LIMPA JÁ

Postado em Atualizado em

 

As Demoras da Lei

 

Por Theófilo Silva

Shakespeare queixa-se das “demoras da lei” no seu monólogo “ser ou não ser”. Para ele, a lentidão da justiça é umas das várias pragas que somos obrigados a suportar ao longo da existência.
A sociedade brasileira vive uma situação de angústia, a da aceitação ou não por parte do Supremo Tribunal Federal das novas regras eleitorais que dizem respeito á proibição da candidatura dos políticos condenados pela justiça. As leis brasileiras são tão imperfeitas e mal interpretadas – são propositadamente mal feitas – que ninguém faz idéia do que poderá acontecer com essa nova lei. Na verdade, sabe-se: o judiciário permitirá que a grande maioria desses homens públicos entupidos de processos e condenações possam ser candidatos no pleito de outubro. Aliás, não sabemos sequer se existe condenação definitiva para políticos ricos no direito brasileiro.
A lei da Ficha Limpa é um dos grandes esforços da sociedade brasileira para tirar da vida pública os políticos envolvidos em falcatruas. Mais de quatro milhões de cidadãos brasileiros assinaram um projeto de iniciativa popular que foi aprovado na câmara federal com algumas manipulações em seu texto. Mesmo assim foi uma grande vitória.
A lei chegou ao poder Judiciário para sua aplicação e as cortes superiores foram metidas no que chamamos de, “saia justa”: barrar as candidaturas dos poderosos enquadrados pela nova lei. Governadores, senadores, deputados e homens públicos com condenações não aceitam a proibição: segundo eles o projeto é inconstitucional e não pode valer para as eleições de 2010.
Esses políticos acham que a lei não pode atingi-los. Lembram-me as queixas do duque de Viena na peça Medida por Medida de Shakespeare: “essas faltas se acham de tal maneira protegidas que os mais fortes estatutos são semelhantes às proibições penduradas numa barbearia: são lidas mais ninguém se importa com elas”. A sentença do duque foi feita para o Brasil de 2010. É lei feita pra ler, não pra ser cumprida.
Quando é que o Brasil vai tomar vergonha na cara? Será possível que os tribunais não enxerguem a importância que essa lei tem pra provocar um grande salto de cidadania que o Brasil tanto precisa. A lei tem que ser interpretada sempre contrariando o desejo do povo? Pois, trata-se de uma lei criada exclusivamente pelo povo para punir os maus governantes. Que grande oportunidade não estamos perdendo de fazer uma faxina na política brasileira!
Tomemos o caso de Brasília. Um caso que grita nas ruas, prédios, hospitais, escolas em toda a sociedade brasiliense. É fato tão escabroso, que a justiça corre o risco de ficar mais desacreditada do que está, caso permita a candidatura de Roriz, o eterno ex-governador de Brasília, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado, acusado de pesada corrupção. Uma das cláusulas mais aplaudidas da nova lei é a que proíbe que políticos que renunciaram ao mandato para escapar de processo de cassação possam ser candidatos.
Na verdade, o que os juízes estão fazendo ao permitir o registro dessas candidaturas é: “dar livre curso as más ações, enquanto castigo não tem o mesmo privilégio, é o mesmo que encorajá-las” é o que afirma o duque de Viena. E é isso mesmo que todos nós achamos que o STF está fazendo. Ficha limpa já.

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

 ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

Discurso da Servidão Voluntária

Postado em Atualizado em

 

Sobre a Tirania

 

Por THEÓFILO SILVA

Recebi de um amigo um ensaio que eu tinha lido há bastante tempo e do qual não lembrava mais: um panfleto escrito em torno de 1550 por um jovem estudante de direito, Etienne de La Boétie. O panfleto assusta por sua sabedoria, e La Boétie, morto aos 32 anos, foi imortalizado por essa pequena obra-prima.
O texto é tão brilhante e sucinto que é difícil cortá-lo, tantas são as belas passagens nele contidas. Estou falando da obra Discurso da Servidão Voluntária, um libelo em favor da liberdade, e um ataque frontal as várias formas de tirania. La Boétie viveu o período das guerras religiosas na França, e suas palavras são absolutamente atuais.
Compartilho este longo e arguto parágrafo em que La Boétie descreve com profunda acuidade o comportamento de um tirano: “Não é só preciso que façam o que ordena, mas também que antecipem seus próprios desejos. Não basta obedecê-lo, é preciso agradá-lo, é preciso que se arrebentem, se atormentem, se matem dedicando-se aos negócios dele: e já que só se aprazem com o prazer dele, que sacrifiquem seu gosto pelo dele, forcem seu temperamento e o dispam de seu natural. É preciso que estejam incessantemente atentos às palavras dele, à voz dele, aos olhares dele, aos mínimos gestos dele: que seus olhos, seus pés, suas mãos estejam incessantemente ocupados seguindo ou imitando todos os seus movimentos, espiando e adivinhando suas vontades e descobrindo seus mais secretos pensamentos. Isso é viver feliz? Isso é, mesmo, viver? Há algo no mundo mais insuportável que essa condição”?
La Boétie pergunta por que pessoas se submetem a humilhações e ultrajes da parte de um ou outro ditadorzinho, pois “Certamente o tirano nunca ama nem é amado”. Ele aponta três causas para a servidão voluntária: o hábito, a covardia e a participação na tirania. Para ele são os seduzidos pelo esplendor do tesouro público sob a guarda do tirano, que em conluio, garantem e asseguram seu poder: “são sempre quatro ou cinco homens que o apoiam e que para ele sujeitam o país inteiro e que obtiveram o ouvido do tirano e por si mesmos dele se aproximaram ou então, foram chamados para serem cúmplices de suas crueldades, companheiros de seus prazeres, complacentes com suas volúpias sujas e sócios de suas rapinas”.
O mundo moderno não acabou com os déspotas, eles podem ser: empresários, políticos, religiosos e outros. O tirano pode ser o aparente pacato pai de família, o chefe de escritório, o presidente do Irã ou o repulsivo ditador da Coréia do Norte.
Shakespeare, que compartilhava da visão de La Boétie, criou tiranos cruéis, como Macbeth e Ricardo III, mas não sabemos se ele leu a obra de La Boétie, é bem possível que sim, já que leu Os Ensaios de Montaigne, obra do mesmo período que o Discurso.
Nem sempre sabemos onde se encontra a tirania, a maneira despótica de governar pessoas, pois ela se esconde sobre disfarces, os mais diversos, pois, para o tirano não importa ser bom, mas parecer bom. O atualíssimo La Boétie nos diz que “os tiranos fazem todo o possível para tornar seus servidores cada vez mais fracos e covardes”. Os acordos e a palavra empenhada, nada valem, se elas se voltam contra eles.
Os tiranos estão por aí, esperamos que aqueles que são vítimas deles e que não são covardes nem corruptos lembrem-se do Discurso de La Boétie e rompam com a servidão voluntária.

 

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

 ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

Para quem é de Minas, Coração do Brasil

Postado em Atualizado em

 

O Poder de Minas

 

Por Theófilho Silva*

O século XVI foi chamado pelos historiadores de “o século de ouro da Espanha”. A descoberta da América em 1492, pelos espanhóis, permitiu a nação recém unificada pelo casal Fernando e Isabel, tornar-se a maior potência do século XVI. O ouro das Américas permitiu que a Espanha vivesse um século de glórias que jamais se repetiria.
Foi o período em que as artes na Espanha floresceram como nunca, dando ao mundo a maior de suas glórias: Cervantes e o imortal Dom Quixote. Seu rei Carlos V virou Imperador do Sacro Império Romano Germânico, tornando-se senhor de grande parte do mundo. A outrora poderosa França se debatia em problemas internos e a Inglaterra de Shakespeare só iria despontar a partir dos despojos da Espanha no fim do século de ouro. No Brasil tivemos uma história parecida, a de Minas Gerais, que já foi o estado mais rico e populoso do país e também o de maior representação política até as primeiras décadas do século XX.
A descoberta do ouro e outros metais preciosos pelos bandeirantes paulistas no final do século XVII criaram um novo estado – uma Califórnia brasileira – um século e meio antes dos americanos, as Minas Gerais. Diferentemente do Eldorado do Peru, explorado pelos espanhóis, no Brasil os portugueses ainda não tinham encontrado nenhum metal precioso, a riqueza que realmente interessava aos colonizadores europeus.
Com a grande descoberta, os paulistas se mudam para as Minas Gerais. O esforço de Fernão Dias Pais, o desbravador dos sertões, o Caçador de Esmeraldas, que nada encontrara em sua busca pelos sertões das Gerais, se completara. Ouro Preto é o nome do novo Eldorado brasileiro. Em pouco tempo uma tonelada de ouro é retirada da terra e esse índice aumenta dia a dia e, em um século a região se torna a mais rica e próspera do país.
A arquitetura, a escultura, a literatura, a música e as artes em geral dão um salto gigantesco e a região só cresce. No entanto, os portugueses não estão satisfeitos com os altos impostos que cobram e essa ganância revolta os brasileiros. Felipe dos Santos, Tiradentes e outros são condenados e mortos nessas insurreições. Após a Independência do Brasil em 1822, Minas é o estado mais poderoso durante todo Império. Com o ciclo do café e a chegada dos imigrantes São Paulo cresce muito e ultrapassa Minas. Com a proclamação da República São Paulo e Minas se alternam na Presidência da República, é a política do Café com Leite. O leite de Minas e o café de São Paulo. Em 1930, São Paulo rompe o acordo com Minas e Getúlio Vargas dá um golpe de estado. O poder de Minas começa a declinar aí.
A ditadura de Vargas dura quinze anos. Em 1956, um médico mineiro, Juscelino Kubitscheck é eleito Presidente da República. Vinte e oito anos depois, outro mineiro, Tancredo Neves é eleito indiretamente Presidente, mas morre no dia da posse. Minas jamais esquecerá esse dia e o povo mineiro é marcado por essa data até hoje. Com o “Impeachment” de Fernando Collor, mais um mineiro, Itamar Franco fica dois anos na Presidência.
Lembro das queixas de um nobre em uma das peças de Shakespeare: “É um direito que temos, mas que não temos o direito de exercer”. Minas acha que está na mesma situação desse personagem, quer um direito que teve no passado, mas que hoje é ocupado pelo rico estado de São Paulo, o lugar de onde saíram os dois últimos presidentes do Brasil e de onde, mais uma vez, sairá o próximo. São Paulo, hoje ocupa o mesmo lugar que Minas no passado, o lugar do mais rico, e o mais rico quer a Presidência da República. São Paulo faz com Minas o que Minas fazia com São Paulo no passado. As coisas não deveriam ser assim. Mas é assim que são.

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

 ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

Para quem tem Filho e é de Brasília

Postado em Atualizado em