Realengo…

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O MONSTRO DE REALENGO

Por Theófilo Silva

 

Ricardo III, Edmundo, Iago e Lady Macbeth são as figuras mais frias e perversas criadas por Shakespeare. Esses quatro personagens já tiveram seus comportamentos vasculhados à exaustão pelos estudiosos, principalmente psicólogos, com o objetivo entender suas mentes criminosas.

Todos os quatro apresentam motivações, de certa maneira, diferentes, para cometerem seus crimes. A ambição parece ser o motivador maior em todos os casos. Até Iago, o mais maquiavélico e inteligente de todos, é movido por vingança. Iago faz o infeliz Othelo matar a própria esposa, porque este adiou sua promoção a tenente. Mas, ele sabe que a morte de Othelo o fará subir na hierarquia de Veneza.

Edmundo é frio como uma lâmina, não tem nenhum sentimento. Filho ilegítimo do duque de Gloucester, ele acha que será sempre tratado como bastardo e que, por isso não será o herdeiro do pai. Mesmo que agraciado com poder e riqueza, Edmundo quer mais. Para isso, leva seu pai à morte, permite que as irmãs – igualmente perversas – Goneril e Rejane, matem-se por ele, duela com o meio-irmão, Edgar, e manda matar o Rei Lear e sua filha Cordélia.

Ricardo III é um assassino sarcástico, ele mesmo diz que, quando nasceu, as enfermeiras disseram “esse já veio com dentes; nasceu para morder o mundo”. E é isso que Ricardo faz mesmo. Revoltado, se acha “inacabado pela pérfida natureza” – Ricardo era curvado e tinha um braço paralisado – leva o rei Eduardo IV, seu irmão, a morrer de desgosto. Assassina o irmão Clarence, herdeiro do trono. E por último, manda matar dois jovens príncipes, seus sobrinhos, para atingir seu objetivo, tornar-se o rei da Inglaterra.

Mas é possível que nenhum desses perversos consiga superar Lady Macbeth em maldade. Ante uma visão de seu marido, Macbeth, de que seria rei da Escócia, Lady Macbeth leva adiante o plano de matar o gentil rei Duncan. Antes de cometer o regicídio, Lady Macbeth faz sua “oração”: “Acorrei espíritos que velais sobre os pensamentos mortais! Trocai-me de sexo dos pés a cabeça, enchei-me até que transborde da mais implacável crueldade! Fechai em mim todo acesso, todo o caminho a piedade…” E jura que se tivesse prometido a si mesma que mataria o rei, ela seria capaz de despedaçar o crânio de seu filho recém-nascido contra a parede.

O criador da psicanálise, Sigmund Freud estudou em profundidade a mente dessa dama sombria, segundo ele mesmo “até às raias da loucura”, ele não entendia o porquê de Lady Macbeth, uma mulher de vontade inquebrantável, ter sucumbido diante do sucesso de seu crime, tornando-se sonâmbula e cometido suicídio.

Shakespeare enxergou a inadequação e a ambição como duas portentosas escadas para levar um indivíduo pro lado escuro. A Rejeição continua sendo um fator desencadeador de desequilíbrios mentais, mas, daí a encontrar uma explicação lógica para o que aconteceu em Realengo, como quer parte da imprensa, é tarefa difícil, já que é impossível entrar numa mente perturbada.

As inadequações do Monstro de Realengo já foram detectadas. Os motivos pelos quais ele matou tantas crianças não serão desvendados, porque eles não existem. O acesso fácil a armas de fogo tornou possível realizar seus delírios macabros.

O monstro de Realengo, era semelhante a Ricardo III, nasceu para morder o mundo!

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

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Um comentário em “Realengo…

    Fernanda Lohn disse:
    18/04/2011 às 19:42

    Muito bom texto. É realmente isso. Não encontraremos razões lógicas, para nossas mentes sãs, que afague a curiosidade diante do fenômeno.
    Acredito também que a rejeição seja a maior espoleta que pode resultar em qualquer coisa. Simplesmente imprevisível.
    A única coisa que não entendo é todo mundo achando que só existem Wellington´s em Realengo. Lá no Rio, não aqui. Dentro de casa então, nem se fala. Uma pena!

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