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SÍLVIO SANTOS E A VERDADE

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A VERDADE É SILENCIOSA

Por Theólifo Silva

 

Se fôssemos dizer o porquê das batalhas que travamos no dia a dia, na guerra pela existência, diríamos que a resposta repousa numa só palavra: Verdade. Boa parte da nossa vida é dedicada ao combate à mentira. O que é real e o que é falso, nas relações entre as pessoas, é uma questão a ser enfrentada. O que acontece no mundo é coberto por um véu de obscuridade, e o que é divulgado pelos meios de comunicação não nos mostra o real. Poucos conseguem captar a verdade no balaio de factoides.
Alguém tem dúvida de que essa história do Banco Panamericano está cercada, como diria Winston Churchill, de um batalhão de mentiras? Que nesse negócio ocorreram, como diz a letra de uma canção, “tenebrosas transações”. As suspeitas ficaram ainda fortes depois que um pequeno banco, o BMG – um tamborete, na linguagem dos grandes bancos – está falando em comprar o Panamericano.
O proprietário do Banco Panamericano, o homem mais popular do Brasil, é famoso por estar sempre sorrindo. Seu rosto é igual ao de Guimplaine, personagem do romance O “Homem que Ri”, de Victor Hugo. Guimplaine, quando criança, teve os cantos da boca cortados para dar a impressão de estar sorrindo. Seu sorriso, portanto, é uma mentira, é doloroso. É falso, assim como é falso o sorriso do nosso Popularíssimo.
O Guimplaine brasileiro é dono de um império. Sobre os fatos ocorridos em seu banco, declarou que não sabia de nada que acontecia; que nunca ia lá; e que todas as informações que ele tinha eram oriundas dos balanços que lhe chegavam às mãos. Disse isso sorrindo. Guimplaine não faria melhor.
O nosso Guimplaine, o rosto mais conhecido da televisão brasileira, passa os domingos dentro da casa de dezenas de milhões de brasileiros vendendo produtos. O anedotário o chama de “o maior químico do país”. Ele teria transformado o domingo dos brasileiros “numa droga”. A anedota é justa. Basta ver o que acontece em seus programas de televisão. O lema é fazer a pessoa “topar tudo por dinheiro”. Desde comer baratas, submeter-se a ser atacado por ratos e lagartos, lutar seminua dentro de uma banheira; e ele faz tudo isso jogando dinheiro no palco. Qualquer ação é válida, desde que tenha audiência e venda seus produtos. Questões morais não são levadas em conta.
As pessoas mais humildes o veem como um ser iluminado. Afinal, “trata-se de um ex-pobre”, alguém igual a eles, que se dedica a fazer o bem e que, um dia, os tornará ricos. Ele é tão generoso, que devolve em forma de mercadorias o dinheiro aplicado no Baú da Felicidade. Isso sem ganhar um centavo. É um grande coração!
O fundo responsável pelos dois bilhões e quinhentos milhões de reais emprestados pelo Banco Central ao Panamericano é oriundo de imposto recolhido dos bancos, e é legítimo. O uso desse fundo, geralmente ocorre quando a economia está em turbulência. Não é o que acontece agora quando bancos vivem seu melhor momento. Algo está errado.
Precisamos de um bom jornalista investigativo para elucidar esse caso. Seria como abrir “As Portas da Esperança” quando ele contaria os bastidores dessa história num “Reality Show”, “A Casa dos Artistas”. Pois, só “artistas” são capazes de contar a história do Panamericano.
Em Júlio César, Enobarbo mete-se numa discussão entre os poderosos, Marco Antônio e Otávio, e ao ser admoestado por um deles, retrucou: “quase me esquecera de que a verdade devia ser silenciosa”. Shakespeare está ironizando, a verdade devia ser barulhenta!

Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com

ESTE ARTIGO REFLETE A OPINIÃO DO AUTOR, E NÃO NECESSARIAMENTE  A POSIÇÃO DO SITE www.washingtonbarbosa.com. O SITE NÃO PODE SER RESPONSABILIZADO PELAS INFORMAÇÕES ACIMA OU POR QUALQUER PREJUÍZO DE QUALQUER NATUREZA EM DECORRÊNCIA DO USO DESSAS INFORMAÇÕES

 

 

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