OS CRONISTAS E O STF
Por Theófilo Silva
Manuel Bandeira disse que “fazia versos como quem morre”. São muitos os autores que se queixam do sofrimento que é o ato de escrever. Os mais queixosos sempre foram os poetas, essa categoria cada vez mais rara de escritor, cuja quantidade nos dias que correm, mal pode ser contada nos dedos. Ferreira Gullar, nosso poeta maior, escreve pouquíssimo e deixa claro em seus versos a dureza do ofício. Olavo Bilac “limava, sofria e suava” para apurar a rigidez de seus sonetos.
Muitos romancistas compararam a criação de seus romances com a realização de um parto. Victor Hugo, que teve uma vida bastante sofrida e marcada por tragédias, autor de uma obra vastíssima, escreveu sobre as mazelas da França, mergulhado profundamente nas dores de seus personagens. Charles Dickens, cujos personagens sofrem muito mais do que podemos suportar, adoeceu e acabou morrendo de doenças adquiridas nas leituras públicas que fazia de seus romances. São vários os motivos que levam um escritor a sofrer pelas coisas que escreve. A primeira é a estética do texto, que não vem por intermédio de inspiração, mas de um duro e árduo trabalho de cortar e incluir. A literatura é uma forma de arte que quase não permite que o artista crie de um fôlego só. Quase todos os escritores corrigem várias e várias vezes seus textos, até obter uma forma que os atenda. Outro motivo que faz o escritor sofrer é a de perceber o quão inacabado e injusto é o mundo; as peças que a vida nos prega e a certeza de que estamos presos a condição humana e que não há como superá-la.
Já o cronista, com seus artigos periódicos, por estar em contato permanente – poetas e romancistas, geralmente percebem o mundo a distância – com os fatos e o dia a dia do mundo sabem o quanto é sujo os bastidores do poder e o quanto essa sujeira afeta vida do cidadão comum. Em se tratando de Brasil, é pior ainda, o autor tem a consciência de que seus textos pouco estão servindo para minorar o sofrimento dos menos favorecidos. Os motivos do sofrimento dos articulistas brasileiros repousam na dor de ver milhares de crianças, jovens e adultos mendigando e dormindo nas ruas: sujos, bêbados, drogados, enfim desumanizados; é ver milhares de pessoas gravemente lesionadas e doentes nas portas dos hospitais sem conseguir atendimento médico; é ver milhares de milionários gastando fortunas em coisas desnecessárias sem se preocupar com caridade ou benemerência; é ver o grau de corrupção dos nossos homens públicos. São vários os motivos que fazem o cronista sofrer com o ato de juntar palavras. Arnaldo Jabor é um grande exemplo de sofredor.
A causa da minha dor é a absoluta decepção com o STF – Supremo Tribunal Federal, instância máxima da justiça brasileira, e suas sentenças contrárias à sociedade brasileira. Seus vereditos são sempre favoráveis aos poderosos, apontados pela imprensa e indiciados pela polícia e ministério público como responsáveis pela dilapidação do tesouro público. Nossa maior instância judicial só pune o corrupto, caso ele tenha tido uma condenação definitiva, “sentença transitada em julgado”. Esses juízes agem assim mesmo sabendo que não há condenação definitiva, para ricos e políticos, no Direito Brasileiro. Com isso, dão aos poderosos uma espécie de “licença para roubar”.
Minha dor maior é essa. Enquanto nossos juízes “superiores” não fizerem justiça, serei um sofredor como Hamlet, reclamando da “insolência do poder e da afronta do soberbo”. O STF é soberbo, arrogante e injusto.
Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com
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A INSENSATEZ DO STF EM NÃO SABER TOMAR DECISSÕES, E JOGAR A CULPA, PARA CIMA DO PRESIDENTE LULA.
Uma indignação a não aprovação pelo STF da “Lei Ficha Limpa”. Uma decepção do tamanho das suas próprias irracionalidades. Irracionalidades estas, demonstradas nos 50% de votos favoráveis aos irracionais conspurcardores da nossa constituição. Pasmem! A suprema corte do país não ter saída para os impasses e obstáculos criados por eles mesmos durante votação. (Tudo que é previsível acontecer, e aconteceu, já têm que se ter em mãos a solucionática, considerando que esses juízes são velhos na militância, não debutantes e pequenos aprendizes). Foi o fim da picada. A insensatez desses nossos representantes judiciais ficou patente quando jogaram a responsabilidade para cima do Presidente Lula. Pode um negócio desses? Por Lula, não ter ainda designado nem nomeado o onzimo membro da corte. Isso não é justificativa, para os seus próprios deslizes e equívocos. Uma corte não pode ficar a mercê de uma coisa, não consolidada, para tomar uma decisão relevante para a nação. Acredito que a solução mais viável, seria sortear os 10 magistrados. Ao sortedo, seria perguntado se ele manteria o seu voto ou retroageria? Apegaram-se muito as falhas contidas na lei, e esqueceram de dizer que a própria lei é maleável, ou seja, ela é aplicável à revelia de qualquer lei existente, desde que ela repare e puna um mal maior, partindo desse princípio e para que isso aconteça, é preciso passar por cima de códigos civis ou penais retrógrados e arcaicos e atualizá-los, quando necessário for a sua aplicabilidade. Não se pode deixar à solta parlamentares bandidos e nocivos a nação, tampouco deixar que o eleitor os puna, e os alijem da vida pública nas urnas. É sabido que a maioria do eleitor não faz isso, pelo contrário colocá-os de volta ao poder. Portanto são de competência dos tribunais tomarem essa iniciativa e permitirem, apenas, aqueles que nunca estiveram envolvidos em escândalos de qualquer natureza pública. Os juizes não foram coesos nem usaram a razão para decidirem sobre tal ato, mas irracionais e incoerentes, adjetivos estes, que não são compatíveis com a sabedoria, que se julga ser inerente, a todos os membros dessa corte. Acontece que conhecimento profundo (estudo), não é sinônimo de sabedoria. A sabedoria é nata. Ganhou mais uma vez a insensatez política. A desfaçatez dos políticos é tanta que eles não poupam ninguém para “baixar a lenha” quando são atingidos nos seus interesses vis, não nas suas honras. Considerando que político de vida pregressa não tem mais honra nem vergonha na cara. Que diga o desonrado e maculoso PMD, hospedeiro autrora do vírus chamado Roriz.
Atenc.
Alexandre Ataíde Belém – Pá.