AONDE VAMOS PARAR…
Por Theofilo Silva
Falstaff, o filósofo brincalhão de Shakespeare, diz que “o dinheiro é o melhor soldado: quando ele vai à frente, todas as portas se abrem”. É difícil contrariar essa máxima. No entanto, sabemos o quanto temos que trabalhar e os caminhos que temos que percorrer para dispormos desse “soldado”.
O meio normal para ganhar dinheiro é por intermédio do trabalho, sempre duro e árduo. Aqueles que não querem enfrentar o trabalho procuram meios mais rápidos e escusos de obter dinheiro e lutam para enriquecer, custe o que custar. A ninguém essa prática de obter dinheiro fácil, e em grande quantidade, aplica-se com tanta força do que aos membros da classe política brasileira. Para esses, não há atalho melhor para enriquecer rapidamente do que por intermédio da política.
Como estamos em período de eleições presidenciais, a pauta da imprensa está voltada, com todo o seu poder, para a política. Mesmo que estejamos sob uma lei eleitoral confusa, beirando a censura, a imprensa tenta desnudar a enorme quantidade de mentiras escondidas atrás dos muros construídos pela maioria dos políticos. Entre tantas coisas escondidas, uma me chamou a atenção por sintetizar as mazelas que assolam a sociedade brasileira.
Semana passada, duas matérias publicadas em veículos de circulação nacional levantaram o enriquecimento da classe política. Uma delas nominava os políticos “milionários”, os que teriam mais de um milhão, e a outra analisava a evolução patrimonial durante os quatro anos de mandato. O resultado é chocante. As matérias mostram velhas raposas da política nacional ostentando patrimônios insignificantes, o mesmo de um professor de escola pública. Na outra, políticos sabidamente multimilionários, apresentam um patrimônio que não vai além de um milhão, ou dois milhões de reais. Ambas as matérias, principalmente a que calcula os percentuais de evolução, estão cheias de furos. Um deputado declarou que tinha um patrimônio de dez mil reais e que agora tem oitenta mil e, portanto, seu patrimônio evoluiu oito vezes. Outro diminuiu o patrimônio, chegando ao ponto de declarar que não tem nada. São vários os disparates e as matérias não conseguem separar o que real do que é fictício.
Sabemos que esses políticos residem em imóveis de quatro ou cinco suítes, têm propriedades rurais, três ou quatro automóveis caros, viajam para o exterior e usufruem de uma vida farta e cara. Há uma incompatibilidade brutal entre o padrão de vida que ostentam com a renda que dizem possuir. Esses homens são ricos, vivem como ricos, e se declaram pobres.
Mesmo que as matérias jornalísticas sejam confusas, faltou uma análise crítica, elas serviram para mostrar o nível de irresponsabilidade que se encontra a vigilância do Estado brasileiro no que toca o seu sistema de arrecadação. A pergunta é: onde estão os membros do poder público encarregados de acompanhar a vida fiscal desses cidadãos? Como pode haver tanta mentira e cinismo nessas declarações patrimoniais? Por que o descaso do Estado com uma questão fundamental?
Esse panorama da vida financeira e patrimonial dos políticos é um retrato fiel do Brasil irresponsável. Ou seja, um lado do Brasil não funciona. Ninguém fiscaliza nada, principalmente se esse alguém for político ou poderoso. O mais grave disso tudo é que são os legisladores os maiores fraudadores das leis que eles mesmos criaram. Um país desses pode dar certo? Com a palavra, nós, brasileiros!
Theófilo Silva é autor do livro A Paixão Segundo Shakespeare e colaborador do site www.washingtonbarbosa.com
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